Existe um consenso entre quem realmente entende de azeite de oliva: frescor importa. Não importa pouco. Importa MUITO. O gosto, aroma, o valor nutricional e até a transparência do produto dependem diretamente de quão recente foi a colheita e a extração das azeitonas. Azeite é, essencialmente, um suco de fruta — e como qualquer suco de fruta, ele brilha quando é fresco e vai perdendo vida com o passar do tempo.
Nos primeiros meses após a produção, o azeite está no auge. Aroma intenso, sabor forte, uma picância que pega no fim da garganta. É o azeite dizendo: “tô vivo, tô inteiro, tô aqui”! Conforme o tempo passa, o azeite começa a se degradar. O sabor fica mais neutro, mais “escondido” Não vira veneno, claro. Aliás, sabia que como o mel, o azeite não vence nunca? Apenas vira… comum. E ninguém abre uma garrafa de azeite achando querer algo mais ou menos.
Com a comida, a diferença é ainda mais clara. Azeite de oliva fresco levanta uma salada, melhora um peixe cru, transforma pão em acontecimento e o sorvete, nem se fale (que delícia). Já o azeite velho cumpre função, mas não cria impacto. É o coadjuvante que só aparece nos créditos finais.
Até aqui tudo bem. A parte curiosa — e um pouco mais delicada — é o motivo pelo qual muitos azeites não exibem a data de colheita no rótulo. Afinal, se o frescor é tão importante, por que esconder a informação mais relevante sobre qualidade?
A resposta é mais simples do que parece.
A maioria dos azeites que a gente encontra no supermercado vem de misturas. Mas como assim? Pode ser um blend de safras diferentes(é, blend não é uma coisa boa no azeite), regiões diferentes ou até países diferentes. Não é necessariamente algo errado; é uma prática comum. Mas tem um problema: quando você mistura azeites, simplesmente não existe uma “data de colheita” única para comunicar. O rótulo teria que dizer algo como “colhido entre outubro de 2022 e janeiro de 2024” — o que soaria menos ruim e indicaria um azeite que é uma mistura de sobras de safras novas e velhas entre uma série de países distintos.
Além disso, a indústria prefere colocar apenas a “validade”. É uma maneira diplomática de dizer: “Não vamos discutir quando isso nasceu, vamos falar só até quando ele aguentar ficar aqui”. É como vender um vinho dizendo apenas que “vence em 2028”, omitindo que foi engarrafado quando você ainda estava no ensino médio.
Há também o simples fato de que muitos azeites chegam às prateleiras anos após a colheita. Colocar a data seria um selo de que aquele azeite já não está mais no seu auge. E, convenhamos, muito marketing não sobrevive a datas reais.
Quando você encontra um azeite que declara claramente a data de colheita (u hum Lóv), normalmente significa duas coisas:
- a marca confia na qualidade e no frescor do produto;
- aquilo não é uma colcha de retalhos de safras, mas sim o resultado de um trabalho sério para ter um azeite de altíssima qualidade.
Quando você prova um azeite fresco — realmente fresco — percebe imediatamente a diferença. Não é subjetivo, não é “gosto pessoal”, não é pose. É sabor, aroma, frescor. Uma vez nessa, voltar para um azeite sem data de colheita é como trocar café especial por um solúvel duvidoso: até dá, mas não vale o trabalho (e gasto).
O frescor do azeite é o indicador mais claro de um bom produto. É a informação que deveria vir antes do “extravirgem”, no lugar do “premium”, sempre em 1o lugar. Quando você pensar em azeite fresco, lembre-se de suco de laranja (azeitona é também uma fruta então fresco = bom).
Agora que você sabe o que realmente importa, vai ser difícil olhar para um rótulo sem data de colheita da mesma forma. Libertador e um pouco inconveniente. Lembre disso ou, se esquecer, sempre compre Lóv, o azeite mais fresco que tem!